PINTEI MEU CABELO – 3º Capítulo

No último capítulo, eu contei a todos o meu drama acaju. No dia seguinte eu tinha que enfrentar uma faculdade pela manhã.

Me fui, com o cabelo preso em uma trança. O problema é que não eram as pontas que eu precisava esconder, já que elas nem receberam tintura mesmo, porque já tinha acabado. Era a raiz. E a raiz era impossível de se esconder. Ela refletia a luz do sol e mostrava todas as suas nuances acajus.

Se um boné eu tivesse, um boné eu usaria.

Mas eu não tinha.

Me fui para a faculdade, com os raios de sol matinais me brindando com sua luz e eu desejando que tivesse chovendo, nevando ou acabando o mundo. Meu cabelo, minha gente, tava laranja.

Cheguein atrasada, como de costume. Tive que encarar a sala todinha me olhando, porque sabe como é gente entediada, olha pra todas as coisas que acontecem em volta para evitar encarar o professor. Sentei no meu lugar. A Marina, a única pessoa que no 9º semestre presta atenção na aula, nem me olhou. Iso, falando no msn, fazendo o tcc no meio da aula, tampouco me deu moral. Ane Claude tirava uma sonequinha básica. Respirei aliviada, mas a sensação que os demais colegas me olhavam e diziam “meldels porque essa guria pintou o cabelo dessa cor acaju?” não me deixava em paz.

Daí que, para acabar logo com a inevitável descoberta da nova cor nem um pouco Giovanna Antonelli dos meus cabelos, chamei a Marina e perguntei “Nota algo diferente em mim, Marina?”. A resposta veio em forma de uma careta e uma risada compulsiva de nervoso. Eu já tinha a minha primeira resposta. Chamei Isobel e fiz a mesma pergunta. Obtive a mesma resposta, um pouco mais agressiva e tiradora de onda, como sói acontecer com Isobel. Ane Claude ainda dormia.

Aula vai, aula vem, e eu já pensava em outras coisas, quando Ane Claude acorda e resolve dar uma papeada comigo. Bastou eu virar a cabeça, ela esbugalhou os olhos, abriu a boca, um risinho escapou dela e ela perguntou “O que tu fez com o teu cabelo?” Pronto, desesperei-me, era realmente evidente a cor acajuada, ate mesmo quando não batia sol. Eu era uma versão um pouco mais escura e manchada da namorada do Tarso da novela, saca?

Eu não nasci pra ser ruiva.

No intervalo das aulas a gente desceu e foi a coisa mais horrível de meldels encarar aquele povo todo. Eu comentava a cada 15 segundos a merda que eu tinha feito, bem alto, para que todos soubessem que aquela cor não foi proposital. A sensação era de que todos me olhavam e exclamavam para si o porquê de eu ter feito aquela merda capilar. Eu deveria ter impresso folhetos justificando o meu cabelo e distribuido para a PUC. Ficaria mais tranquila.

Bom, a aula acabou, e eu fui direto para o centro da cidade, comprar tinturas que eu nem sabia a cor. Durante o intercurso criminis, eu continuava com a sensação de que todos os estranhos me observavam e se perguntavam por que aquela menina ali usava acaju.

Cheguei no salão e falei com a mesma mocinha (avó falando?) que havia me atendido na compra anterior. Cheguei com uma cara de medo e ela logo entendeu (ela viu) o meu problema. Depois de soltar um risinho, que eu já tava acostumada, ela chamou uma cabeleleira e ambas se dispuseram a me ajudar.

O problema é que agora eu não tinha nenhuma tintura em mente para saber com que cor pintar, eu teria que inventar uma cor. Depois de uma hora e alguns minutos de discussão acirrada, concluimos todas que o melhor seria comprar 2 tinturas diferentes. Eu já tava me borrando toda. Perguntei se dava pra pintar os cabelos dois dias seguidos, se não haveria problema. A cabeleleira me disse que eu poderia, mas a hidratação teria que ser pesada depois. Eu encarei essa. Conversei com o meu cabelo, pedi a ele força e coragem, disse que eu iria estar do lado dele o tempo todo e que a gente faria o possível para essa operação ser o mínimo traumatizante possível. Meu cabelo me entendeu, e corajosamente enfrentou essa.

Comprei milhoes de shampoos, cremes e bla bla bla. A minha conta já estava em mais de 250 reais, juntando a primeira e a segunda compra, de modo que pensei comigo mesma que se eu não fosse tão cabeça dura seria bem mais fácil não querer ser auto suficiente e nem precisar das coisas pra djá e ir num salão responsa dizer que queria ficar igual a Giovanna Antonelli, me pouparia stress e fios de cabelo. Mas não, eu queria pintar naquele dia e naquele dia pintei. Eu queria bancar a cabeleleira e a cabeleleira banquei. E fiquei parecendo uma fruta tropical.

No final, decidimos por comprar uma 4/0 e uma 5/7. A quatro era um castanho puro, e a 5/7 daria uma quebrada naquele tom uniforme e me daria alguns (poucos) reflexos dourados. Eu implorei para que não ficasse com o cabelo pretão, monocromático. Eu só queria o castanho Giovanna Antonelli poxa, é pedir demais??? Elas me garantiram que não ficaria preto, mas disseram que iria ficar MUITO escuro. Encarei, eu não tinha mais nada a perder.

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Estava lançada a minha sorte.

Quer saber mais? Nos próximos capítulos eu conto!!

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7 pensamentos sobre “PINTEI MEU CABELO – 3º Capítulo

  1. Fernanda disse:

    Mái gódi, quer matar a gte de curiosidade…haha
    E não adianta colocar uma fotinho dps q tiver pintado d novo, queremos ver a “fruta tropical”
    Ah eu te entendo perfeitamente pq sei como é qdo dá vontade de pintar tem q ser na hora, já pintei meu cabelo em casa trocentas vezes, (e errei quase todas muaaahua) mas hj passo um castanho bem normalzinho e sem mta graça q é p não errar muito, mas tava beeem a fim de passar a cor da antonelli…
    Bom, vou esperar a fotinho, de preferência antes do coelhinho,ok? hehe
    bjs

  2. […] já tinha acabado. Era a raiz. E a raiz era impossível de se esconder. … fique por dentro clique aqui. Fonte: […]

  3. Marina disse:

    drama queen!! nao ficou tao ruim assim, tanto que eu sabia que tu nao tinha curtido quando pintou, tinha me dito um dia antes que o teu cabelo tava verde – nada exagerada, e quando eu entrou na aula eu nem notei! claro que realmente eu sou a única que presto atenção na aula e isso pode ter impedido com que eu tenha percebido teu new look, mas nao ficou tão ruim assim!! e nao tava todo mundo te olhando e falando de ti, fica tranquila!

  4. marcella disse:

    menina eu passei pelo mesmo processo que vc. fizeram merda no meu cabelo. mas o meu foi pior. foi com relação a um corte. do cabelo que era na cintura foi parar na nuca….rs…com mechas loiras, fodas por sinal…. rs…mas agora ele esta lindooooooo de nnovo…olha se vc quiser algumas dicas de hidrayação e cremes muito bons e so me mandar um e-mail eu trabalho na area….rs, beijos.

  5. yasmine disse:

    aii conta logo q to curiosa! hauahuha
    ps. ja pintei meu cabelo de vermelho intenso..ate hj dps de 18386846459 tinturas em cima ele resiste ao sol..

  6. Carol Scheid disse:

    hahahahaha!!!

    quanto tempo!!

    nossa..tu é muito boa pra fazer suspense.
    tô curiosíssima!

    beijos

  7. […] que além de eu comprar essas duas tinturas que eu contei no post anterior, eu também perguntei que creme UH É PANCADÃO GERAL eu tinha que passar depois, pro meu cabelo […]

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